“Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.”  (Rm 13.7)

honra:  sentimento de dignidade própria que leva o homem a procurar merecer e manter a consideração pública.

honrar:  conferir honras a; dignificar, distinguir; exaltar, glorificar; reverenciar, venerar; não desmerecer; considerar;  manifestar (exteriormente): respeito, estima e admiração.

Eu acrescentaria, baseado na Bíblia, que honrar é: tratar com singular humanidade; acolher; hospedar; fazer o bem; suprir necessidades (At 28.1-10)!

A Palavra de Deus diz que o Senhor não quer que fiquemos devendo nada a ninguém, exceto o amor; e nos diz para darmos a cada um aquilo que lhe devemos (Rm 13.7, 8) Portanto se devemos honra, temos que dá-la a quem de direito.

Aos coríntios Paulo adverte: “De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.” (1Co 12.26). Quando não damos a honra devida a alguém, não estamos desonrando apenas a pessoa, mas a nós mesmos e ao corpo de Cristo. O contrário também é verdadeiro: quando honramos, também estamos sendo honrados, e estamos honrando todo o corpo de Cristo. E mais: quando não honramos padecemos, somos afligidos por males e nos tornamos tristes. Mas, fundamentalmente, quando honramos uns aos outros trazemos sobre nós a alegria do Senhor, nos tornamos mais semelhantes a Jesus, e enchemos a terra da glória de Deus.

A honra segue uma hierarquia. Há honras e honras, ou seja, há maneiras e formas diferentes de honrarmos. Todos devem ser, no mínimo, respeitados; mas quanto mais digna de honra for a pessoa e quanto maior for a nossa consideração e admiração por ela, assim será (ou deveria ser!) a manifestação externa dessa honra. Mas, quem tem direito a honra?

É bom lembrarmos que, entre os homens, não há um justo sequer (Rm 3.10); e só há um digno de honra: Jesus (Ap 5.4: “e eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno […]”; Ap 5.5: “Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, […]”)!

Mas como o Senhor sempre quer repartir o que tem de melhor, Ele quer que experimentemos a honra, e muito mais: que experimentemos o honrar, porque, segundo Ele, é melhor dar do que receber. É muito importante entendermos e aceitarmos que, embora nem todos sejam dignos de honra, ou que honestamente falando, ninguém seja digno de honra, TODOS DEVEMOS HONRA AOS OUTROS! Deus quer assim, esta é a Sua natureza. Se nós queremos o Senhor, se queremos servi-lo, é bom que o aceitemos como Ele é, e nos tornemos como Ele.

Segundo a Bíblia, têm direito à honra:

O rei (as autoridades) (1Pe 2.17): respeito; tributos; impostos; “prestação de contas”;

Pais e mães (Ef 6.2): respeito; amor; obediência; cuidado; suprimento; distinção;

Esposas (1Pe 3.7): respeito; amor; cuidado; carinho; palavras: elogios; suprimento; serviço;

Maridos (Pv 31.23: “Seu marido é respeitado (honrado) na porta da cidade, onde toma assento entre as autoridades da sua terra.”): respeito, virtudes e testemunho;

Patrões (ou “senhores de escravos”) (1Tm 6.1): respeito; obediência;

Os outros (Rm 12.10): respeito; mutualidades, etc.;

O Senhor (Jd 25 – glória, majestade, poder e autoridade; Pv 3. 9primícias: os primeiros frutos colhidos; as primeiras produções; as primeiras produções do espírito; os primeiros sentimentos; primeiros gozos; os começos, prelúdios.): respeito; amor; obediência; temor; com as primícias das nossas rendas;

Os cooperadores na obra de Deus (Fl 2.29): respeito; acolhimento, suprimento; distinção;

As viúvas e os órfãos (1Tm 5.3-16; Tg 1.27): respeito; suprimento; amparo;

Os presbíteros (1Tm 5.17, 18 – dupla honra!): respeito, sujeição, remuneração financeira digna; suprimento; distinção;

“O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome?”  (Ml 1.6).

A questão dos dízimos e das ofertas

Ageu 1.2-11; Malaquias 3.6-12: O que é a casa de Deus? Sãos os templos, os prédios? A Bíblia não deixa dúvidas: a casa de Deus é a Igreja do Deus vivo (1Tm 3.15)! Os dízimos e ofertas são para que haja mantimento na casa de Deus, ou seja, na Igreja. Mantimento é: alimento, víveres; o que se despende com a conservação de alguma coisa; manutenção; gêneros alimentícios.

Deus não precisa do nosso dinheiro, Deus não precisa de alimento; mas nós precisamos, e Ele sabe muito bem disso. Por isso providenciou um meio simples e justo de prover os que se dedicam a sua obra, bem como aos órfãos, viúvas e necessitados: os dízimos e as ofertas. O próprio Jesus se serviu disso (Lc 8.1-3)

Deus não faz acepção de pessoas, Ele não tem preferidos. Mas, não duvidemos, Ele tem um olhar especialmente direcionado a essas pessoas:

  • os necessitados (de material e de afeto): Ele deseja que habitem em família com tudo o que uma família goza: suprimento, amparo, refúgio, aconchego, alegria, férias, planos, sonhos, realizações, etc. (Sl 68.5,6);

 

  • os presbíteros e cooperadores na obra de Deus: para Deus, estes estão numa excelente obra; e o seu trabalho, no Senhor, não será vão (1Co 15.58). Para eles há uma coroa da glória, imarcescível (que não murcha!), quando o Supremo Pastor se manifestar (1Pe 5.4)

Se Deus faz essa distinção, se Ele dá a esses tal honra, não devemos fazer o mesmo?

Todos (1Pe 2.17): respeito; mutualidades; etc.

Embora haja hierarquia e honrarias diferenciadas, somos convidados por Deus a honrarmos a todos e a andarmos por um caminho “sobremodo excelente” (1Co 13.1)! Paulo viveu essa experiência: “Os quais nos distinguiram também com muitas honras; e, havendo de navegar, nos proveram das coisas necessárias.”  (At 28.10). Quem mais foi distinguido com muitas honras, juntamente com Paulo? Todos os prisioneiros que estavam no navio! Deus nos convida a honrarmos aos que, aos nossos olhos, não merecem honra!

Vemos na experiência do naufrágio de Paulo (At 28.1-10), o que acontece com aqueles que honram aos outros: eles são supridos em suas necessidades! Todos os nativos daquela ilha honraram aos náufragos, por isso todos os enfermos da ilha foram curados! O que aconteceu com eles é o mesmo que Deus promete fazer com os que dizimam e ofertam: “Vou abrir as janelas do céu e derramar sobre vós bênção sem medida (Lc 6.38). […] repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, […]. Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, […]” (Ml 3.10-12).

Seja qual for a nossa necessidade, se buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça (se nos submetermos ao governo de Deus em todos os aspectos de nossa vida, incluindo aí a honra que devemos aos outros), Ele se compromete em nos suprir plenamente, e mais que isso: Ele fará nossos pés como os das corças, e nos fará andar de um modo muito mais excelente, pelo caminho do Seu amor. Este é o nosso Deus.

Por Aguilar Lopes

Veja também: Estudo sobre pais e filhos

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